Queimadas no Pantanal: "vivemos uma situação inédita", diz | Geral

Queimadas no Pantanal: "vivemos uma situação inédita", diz

 

Um dos biomas mais ricos em biodiversidade e importantes do planeta, o Pantanal, passa pela maior seca e número de . Somente nesse ano foram mais de 1 milhão e 200 mil hectares de área queimada. o que corresponde a 8 vezes o território do município de são paulo.

Para André Siqueira, biólogo da ONG Ecoa, que atua há mais de 31 anos no .

“Não há nada parecido com o que estamos vivendo. Quem  comenta que não existiu ainda momento como esse. Esse ano não tivemos chuva praticamente nenhuma. Não tivemos o pulso de inundação. Os milhares de hectares que são inundados todos os anos, que mantêm os solo úmidos e as áreas inacessíveis até pelo menos julho e junho, nós não tivemos isso.” afirma Siqueira.

Segundo Marcos Rosa, coordenador do Map Biomas, o , que está associado ao desequilíbrio climático e hídrico, ocasionado pela devastação de outros biomas importantes, como o cerrado e principalmente a Amazônia.

 

“As cabeceiras dos rios que correm para o . E elas foram muito devastadas, apenas 40% delas são conservadas, o resto todo já tem ocupação agrícola.  É muita soja cuja plantação vai até a borda do rio. Então, quando chove os sedimentos descem para dentro do Pantanal e vão assoreando os rios do pantanal, deixando os rios mais rasos.” afirma Rosa

Além do problema hídrico que advém de outros territórios, outro fator central é a ação de local por outras mais resistentes ao gado. Segundo um levantamento do Instituto SOS pantanal, cerca de 15% da área do pantanal já foi convertida em pastagem.

“Tem o uso tradicional de pastagem, o uso o, que não tem grande impacto. O grande problema hoje é exatamente esse pessoal de fora, que não é o ocupante tradicional do Pantanal, e que a primeira coisa que faz quando chega, é remover toda toda área de gramínea, savana e floresta para fazer um plantio de exótica. E de áreas muito grandes. Esse é o grande problema do Pantanal.” explica Rosa.

Desde o dia 15 de julho, o , e na semana seguinte enviou militares e aeronaves para combater os incêndios no bioma. Porém, ambientalistas afirmam que o socorro foi muito tarde e não arrefecerá os efeitos do desmonte dos órgãos responsáveis pela fiscalização na região, como o IBAMA e a ICMBIO.

“Há uma falta de investimento dos , prevenção e combate. A estrutura de fiscalização atual é completamente contrário ao crescimento exponencial do fogo. Não tem como negar desassociar que a narrativa federal repercute no repasse dos recursos.” afirma Siqueira.

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Author: SILVA RICARDO