Com 21 mil casos de covid, Venezuela amplia prevenção | Internacional

Com 21 mil casos de covid, Venezuela amplia prevenção

A Venezuela adota novas medidas de prevenção para combater o aumento dos contágios do , quando o país atravessa o pico da pandemia, com  casos confirmados e 187 falecidos.

Na capital, Caracas, foi inaugurado o maior hospital de campanha do país, no complexo esportivo Poliedro. Equipado com 1,2 mil camas, 900 para pessoas com sintomas leves e 300 para casos assintomáticos. 

No último domingo (2), foram recebidos os 45 primeiros pacientes, que serão atendidos por uma equipe de 82 da Misión Barrio Adentro (Missão Bairro Adentro). 

Outras unidades de saúde foram inauguradas no interior do país durante o último fim de semana. No estado Lara, o governo local abriu o centro Dr. José Gregorio Hernández, com 450 camas.

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imagem05-08-2020-14-08-44 Complexo está apto para receber 1200 pacientes com covid-19 e também conta com unidades de tratamento intensivo/Assessoria da Presidência

No último fim de semana, também foi anunciada a inauguração de , que distribuirão medicamentos a preços acessíveis a 60 mil cidadãos.

Cerca de 56% dos casos registrados foram recuperados, equivalente a 11.875 pessoas. Além disso, 90% dos doentes são tratados em unidades do sistema público de saúde venezuelano. 

Apesar de que o governo bolivariano oferece o balanço epidemiológico diariamente, em transmissões televisivas em cadeia nacional, setores da oposição questionam os números. 

Segundo partidários de Juan Guaidó, a administração de Maduro estaria "escondendo" os reais dados. Segundo a checagem de dados de alguns meios de comunicação, no mês de julho foram computadosnas regiões centrais do país. 

Deputados da Assembleia Nacional dos partidos Voluntad Popular e Primero Justicia, e a Academia de Medicina da Universidade Central da Venezuela asseguram que a Venezuela deveria realizar entre , do tipo PCR, diariamente para conhecer a situação epidemiológica do país.  No entanto, graças à ajuda humanitária enviada pela China, Rússia, Irã, Turquia e por meio dos organismos de cooperação internacional, com a ONU, a Venezuela mantém uma das maiores médias de diagnóstico da região, com a aplicação de 52.042 provas por milhão de habitantes, acumulando um total de 1.561.272 milhão de testes até o dia 4 de agosto.

Volta pra casa

Nos primeiros meses da pandemia, a maior parte dos contágios eram casos importados, de pessoas que regressavam de países vizinhos, como Colômbia, Brasil, Equador e Peru. No entanto, no último mês, houve um aumento exponencial de focos locais.

Atualmente, o Distrito Capital é a região mais afetada com 5.015 infectados, seguido do estado Zulia, fronteira com a Colômbia, com 3.684 mil doentes e o estado Miranda, com 2.703 contágios. 

Em Zulia, desde julho, uma brigada com 47 especialistas cubanos reforça a atenção médica na região. Graças a esse apoio, um dos pacientes que conseguiu se recuperar foi o governador Omar Prieto.

Nessas regiões com mais contágios, há mais de um mês não há flexibilização da quarentena. O governo bolivariano mantém o plano 7+7, com uma semana de flexibilização e uma semana de quarentena restrita.

Restrições

No entanto, a semana de flexibilização agora é aplicada em três níveis de acordo com o número dos contágios. 

– O nível 1 prevê alto risco de contágio e permite a abertura apenas dos serviços essenciais;

– o nível 2, de flexibilização parcial, permite a abertura de 10 setores da economia, incluindo lojas de material de construção, bancos e consultórios médicos;

– o nível 3, flexibilização generalizada, autoriza a abertura de 22 setores, como cartórios, academias, óticas e papelarias. 

No estado Miranda, região centro-oeste do país, o governo local ainda estabeleceu novas restrições tentando evitar aglomerações. Agora a cada dia da semana está liberada a circulação pelos comércios essenciais, como farmácias, supermercados e padarias, de acordo com o final da cédula de identidade. 

Já nos distritos da capital, várias avenidas foram fechadas para evitar o tráfico de veículos e alguns bairros da região oeste foram isolados, permitindo acesso somente aos moradores.

Além disso, estão mobilizados 70 mil pessoas nas chamadas Brigadas de Prevenção Popular, que reúnem militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), da Frente Francisco de Miranda e líderes comunitários, em pontos estratégicos instalados nas comunidades periféricas com materiais que explicam quais devem ser os cuidados de prevenção ao vírus. 

¡Donde nos necesiten ! También activamos BRIGADA ESPECIAL RAFAEL RANGEL con el q apoyarán en labores administrativas y logísticas, al InstitutoNacionalHigiene donde se procesan pruebas PCR en combate al

— Mervin Maldonado (@MervinMaldonad0)

Cooperação internacional 

O presidente Nicolás Maduro solicitou que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) intermedeie o diálogo com autoridades colombianas e brasileiras para estabelecer um cordão sanitário conjunto na zona fronteiriça. De março a agosto, 74 mil venezuelanos regressaram ao país pela fronteiras com a Colômbia e o Brasil, 5.235 infectados com o novo coronavírus. 

"Se tivéssemos apoio sanitário do lado colombiano, não teríamos esse problema, de que delinquentes, paramilitares e grupos de narcotraficantes, que se dedicam ao tráfico de pessoas mandem pelas trouxas [vias clandestinas] dezenas, centenas de venezuelanos que estão fugindo da Colômbia", assegurou o chefe de Estado venezuelano.

Buscando unir esforços para combater a pandemia, a ministra para Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez-Ramírez, propôs a criação de um Conselho Iberoamericano de Ciência e Tecnologia, durante uma reunião virtual com a presença de representantes da Espanha e 11 países da América Latina. Atualmente 31 cientistas venezuelanos trabalham na busca por um tratamento para o vírus sars-cov2. 

imagem05-08-2020-14-08-53 No Poliedro de Caracas, 13 ambulâncias fazem o traslado dos pacientes que serão internados na unidade e transportam os casos graves a hospitais de referência. / Assessoria presidência

No mês de julho, também foram, que foram efetivos no tratamento de pacientes com covid-19. Jusvinza, um anti-inflamatório, teve eficácia comprovada entre 78 a 92% para reduzir o risco de morte em pacientes em estado grave. Já o novo tipo do, de aplicação intranasal, evita a replicação do vírus e previne o avanço da doença em casos leves.

 

Edição: Rodrigo Chagas

Author: SILVA RICARDO